A classificação Pell e Gregory é um dos sistemas de referência amplamente utilizados em odontologia para posicionar corretamente os terceiros molares, facilitando o planejamento da odontoseclusão e a tomada de decisões clínicas.

Origem e fundamentos da classificação Pell e Gregory

Desenvolvida por Pell e Gregory na década de 1930, essa classificação surgiu como uma ferramenta prática para padronizar a descrição da posição dos terceiros molares em relação aos secondos. Ela divide a anatomia mandibular em quatro regiões principais, associadas a possíveis trajetórias de erupção e impactações, sendo muito utilizada em odontologia oral e cirurgia bucomaxilofacial.

O sistema baseia-se na relação vertical e horizontal entre o terceiro molar e uma linha imaginária traçada entre a ponta da mandíbula e o ápice da raiz do segundo molar. Ao utilizar a classificação Pell e Gregory, os profissionais conseguem comunicar de forma clara e objetiva a localização do dente, o que auxilia no diagnóstico e no planejamento terapêutico, reduzindo riscos associados a extrações e cirurgias.

A Real Importância da Classificação de Winter e de Pell e Gregory Para ...
A Real Importância da Classificação de Winter e de Pell e Gregory Para ...

Componentes da classificação posição horizontal

A avaliação da posição horizontal divide o terceiro molar em relação ao segundo molar e à ramificação mandibular, resultando em designações como Class I, Class II e Class III. Essas letras indicam desde alinhamento quase normal até distofia moderada ou grave, respectivamente, sendo essencial para identificar riscos de compressão, cáries ou lesão de estruturas adjacentes.

  • Class I: o terceiro molar está alinhado corretamente com o arco dental, apresentando boa possibilidade de erupção funcional.
  • Class II: o dente está deslocado em relação ao segundo molar, podendo haver parcial ou completa sobreposição.
  • Class III: o terceiro molar apresenta deslocamento significativo, na direção mais distal da ramificação, exigindo maior atenção na avaliação cirúrgica.

Componentes da classificação posição vertical

Já na avaliação vertical, a classificação Pell e Gregory define se o terceiro molar está completamente eruptado, parcialmente eruptado ou impressoo (totalmente subgengival), sendo representado por Class A, Class B e Class C. Cada cenário tem implicações diretas sobre a técnica cirúrgica, risco de infecção e tempo de recuperação do paciente.

  • Class A: o dente está em nível ósseo adequado, com boa coroa exposta e acesso facilitado.
  • Class B: ocorre parcial erupção, com coroa parcialmente subgengival, aumentando a chance de infecção e dor.
  • Class C: o terceiro molar permanece totalmente abaixo da gengiva, exigindo procedimento cirúrgico mais complexo, com risco elevado de lesão nervosa.

Combinando as dimensões: letra e número

A utilização integrada da posição horizontal e vertical resulta em combinações como II B ou III C, que descrevem de forma precisa a localização do terceiro molar. Esses códigos permitem que odontologistas e cirurgiões bucais compartilhem informações detalhadas, melhorando a coordenação do tratamento e a escolha entre exodontia simples ou cirurgia com acesso ósseo.

-Classificação da posição dos terceiros molares segundo Pell e Gregory ...
-Classificação da posição dos terceiros molares segundo Pell e Gregory ...

Além disso, a classificação Pell e Gregory pode ser complementada com exames de imagem, como radiografias panorâmicas e tomografias computadorizadas, que ajudam a visualizar a relação do dente com estruturas críticas, como o canal mandibular e o seio maxilar. Isso garante um diagnóstico mais seguro e personalizado.

Vantagens e limitações do sistema

Uma das principais vantagens da classificação Pell e Gregory é a sua simplicidade e ampla adoção, que facilita a padronização dos registros clínicos. Ao utilizar esse sistema, os profissionais conseguem organizar melhor a fila de atendimento, priorizando casos de maior complexidade e prevenindo complicações pós-operatórias, como sangramento prolongado ou parestesia.

  • Facilidade de compreensão e aplicação rápida em consultório.
  • Base científica sólida, desenvolvida a partir de estudos anatômicos.
  • Compatibilidade com outros sistemas de classificação, como o de Winter.

Porém, é importante reconhecer as limitações, pois a classificação não considera fatores como densidade óssea, curvatura das raízes ou patologias associadas, que também influenciam no tratamento. Por isso, ela deve ser usada em conjunto com a avaliação clínica e as imagens, nuncas de forma isolada.

Classificação Pell E Gregory - RETOEDU
Classificação Pell E Gregory - RETOEDU

Aplicação prática e importância clínica

Na prática odontológica, a classificação Pell e Gregory é um recurso indispensável para a tomada de decisão, especialmente em casos de odontite de inclusão ou quando se avalia a necessidade de remoção preventiva de terceiros molares. Ela ajuda a prever a complexidade da extração, o risco de complicações e o tempo de cicatrização, orientando tanto o manejo conservador quanto o abordagem cirúrgica.

Profissionais que dominam o uso correto dessa classificação conseguem oferecer um atendimento mais seguro, alinhado às melhores práticas da odontologia moderna. Além disso, o sistema é amplamente aceito em protocolos de ensino e em diretrizes clínicas, o que reforça sua importância como ferramenta de base para qualquer equipe odontológica.

Conclusão

A classificação Pell e Gregory permanece um dos métodos mais utilizados e confiáveis para avaliar a posição dos terceiros molares, integrando informações sobre altura e localização horizontal de forma simples e objetiva. Compreender seu funcionamento é essencial para odontologistas que buscam oferecer diagnósticos precisos, planejamento adequado e menor risco de complicações nas intervenções odontológicas.

Classificação Pell e Gregory para terceiros molares inferiores ...
Classificação Pell e Gregory para terceiros molares inferiores ...