Comissivos E Omissivos
Na gramática detalhada da língua portuguesa, compreender comissivos e omissivos é essencial para aperfeiçoar a clareza e a precisão das suas frases.
O que são Comissivos e para que Servem
Os comissivos são elementos linguísticos que introduzem uma ação ou um evento, atribuindo a sua realização a uma pessoa ou entidade específica, sem alterar a estrutura fundamental da frase. Eles funcionam como um sinal de passagem, indicando quem "dá" a ação ou quem é o responsável pelo processo verbal. Existem diversas palavras e expressões que desempenham esse papel, sendo algumas das mais comuns o "por", o "de" e o "pelo", usados em construções como "O relatório foi escrito pela equipe" ou "O presente foi comprado pelo meu irmão".
A utilização correta dos comissivos é vital para evitar ambiguidades e para garantir que a mensagem transmitida seja a mais precisa possível. Ao identificar o comissivo, o leitor consegue traçar um mapa mental claro sobre a origem da ação, sabendo exatamente qual agente a provocou. Isso é particularmente importante em textos formais, jornalísticos e acadêmicos, onde a responsabilidade sobre as informações deve ser clara e inequívoca, contribuindo diretamente para a credibilidade do autor.

A Importância dos Omissivos na Construção da Frase
Omissivos são elementos que, ao contrário dos comissivos, "omitem" ou deixam de explicitar o agente responsável pela ação. Eles aparecem em situações onde o sujeito que realiza o verbo é desconhecido, irrelevante, óbvio pelo contexto ou quando se deseja manter um tom mais genérico ou impessoal. Exemplos frequentes incluem frases como " Foi roubado o veículo" ou " Entregue o pedido até às dez horas", onde a identidade do ladrão ou do entregador não é mencionada.
A função dos omissivos vai além da simples elisão do sujeito, pois eles permitem uma grande flexibilidade estilística na língua portuguesa. Ao remover o agente, o foco da frase pode ser direcionado exclusivamente para o objeto direto ou para o resultado da ação, o que é muito útil em contextos jornalísticos ou narrativos. No entanto, o uso consciente e criterioso é fundamental, pois o excesso de omissivos pode levar a uma escrita ambígua ou desvairada, dificultando a compreensão para o leitor.
Diferenças Essenciais entre os Dois Elementos
A principal distinção entre comissivos e omissivos reside na função que desempenham na frase em relação ao agente da ação. O comissivo serve para introduzir e identificar quem ou o que realiza a ação, preenchendo uma lacuna necessária para a completa compreensão da oração. Em contrapartida, o omisivo atua removendo ou evitando a menção explícita desse mesmo agente, seja por indiferença, formalidade ou foco narrativo.

Para fixar melhor essa diferença, observe os exemplos: "O acidente aconteceu devido a má conduta" (comissivo - indica a causa) versus "Houve um acidente na via" (omisivo - omite a causa). Enquanto o primeiro busca explicar a origem do evento, o segundo simplesmente o apresenta. Portanto, enquanto um responde à pergunta "quem ou o quê?", o outro deliberadamente a ignora, cumprindo um propósito estético ou comunicativo diferente.
A Interdependência na Redação e na Comunicação
Apesar de desempenharem papéis opostos, comissivos e omissivos são ferramentas complementares na construção de um texto coeso e eficaz. Um bom escritor utiliza ambos de forma estratégica, alternando entre a necessidade de clareza e a de sofisticação estilística. A chave para um uso equilibrado está na intenção: saber quando é necessário ser transparente sobre a origem da ação e quando convém criar uma certa ambiguidade ou foco.
A fluência na língua portuguesa é muitas vezes medida pela capacidade de manejar esses recursos com maestria. O uso criterioso dos comissivos evita que o texto se torne vago ou evasivo, enquanto a aplicação inteligente dos omissivos pode conferir um ritmo mais dinâmico e um tom mais formal ou poético. Portanto, dominar a interação entre eles é um passo crucial para aprimorar a qualidade da comunicação escrita e falada.
Exemplos Práticos para Fixação
Para consolidar o entendimento, analisemos alguns casos práticos que ilustram a aplicação dos dois conceitos. Em um relatório corporativo, pode-se ler: "O projeto foi concluído sob a supervisão do diretor financeiro", onde o comissivo "sob a supervisão de" é essencial para atribuir a responsabilidade. Já um comunicado de imprensa pode afirmar "Foram liberadas mais de mil vagas", usando o omisivo "foram" para manter o foco na vaga e não no executor da liberação.
- Comissivo explícito: "O contrato foi assinado por João Silva." (Identificação clara do agente)
- Omissivo evitivo: "Assinado o contrato foi entregue hoje." (Foco no ato, não no signatário)
- Comissivo indicando meio: "A carta foi enviada através de e-mail." (Meio da ação)
Conclusão
Compreender a dinâmica entre comissivos e omissivos é um domínio que transforma um texto comum em uma peça de comunicação eficaz. Ao estudar a função de cada um, o profissional de língua portuguesa ganha a habilidade de modular seu tom, desde a total clareza até a mais elegante ambiguidade, sempre com o objetivo de transmitir a mensagem da maneira mais adequada possível.
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