Concessão Figura De Linguagem
A concessão figura de linguagem aparece em praticamente todo texto persuasivo, seja em crônicas, discursos formais ou argumentos acadêmicos, ao indicar que um determinado ponto será admitido temporariamente para fortalecer a tese principal.
O que é concessão e como ela funciona
A concessão figura de linguagem como um recurso que concede, de forma planejada, uma razão ou parte de uma ideia contrária ao próprio argumento, mostrando que o autor está disposto a reconhecer aspectos válidos da questão em discussão.
Essa estratégia não enfraquece a posição do escritor, ao contrário, demonstra equilíbrio, inteligência e preparação, pois o autor antecipa possíveis críticas e responde a elas de modo elegante, usando a concessão figura de linguagem como ferramenta de diálogo.
Na prática, a concessão aparece em frases que admitem um dado, fato ou opinião parcial, geralmente acompanhadas de expressões como “é verdade que”, “de fato”, “convém reconhecer”, “embora”, “apesar de”, “sic”, “também se pode argumentar que”, entre outras, que sinalizam a abertura para a concessão.
Tipos de concessão e seus recursos linguísticos
A concessão pode se manifestar de diversas formas, desde a simples menção a um dado favorável até a estrutura completa de uma frase em sentido concessivo, e identificar esses tipos ajuda a usar a ferramenta com precisão.
- Concessão sintática ou de sentença completa: recurso em que toda a oração expressa a concessão, geralmente com conjunções como “apesar de”, “embora”, “ainda que”, “sempre que” e “quer que”, formando um núcleo concessivo claro.
- Concessão terminológica ou de núcleo: aparece em trechos menores, com vocábulos ou locuções como “é certo”, “convém notar”, “em primeiro lugar”, “é inegável”, inseridos em períodos mais longos para abrir espaço a uma concessão pontual.
- Concessão implícita ou velada: manifesta-se de forma sutil, sem conectores explícitos, através deironias, contradições controladas ou recursos como “sic”, “assim chamamos”, “ditam os defensores”, indicando que se está apresentando uma opinião alheia para, em seguida, delimitá-la.
Independentemente do tipo, a concessão figura de linguagem funciona como um regulador de tom, evita que o texto se torne dogmático e amplia sua capacidade de persuasão ao incluir visões alternativas de modo controlado.
Quando e por que usar a concessão
Usar a concessão figura de linguagem é particularmente útil em contextos de argumentação, pois o autor antecipa objeções e ganha credibilidade ao mostrar que conhece outras perspectivas.
Ela aparece com frequência em textos acadêmicos, opinativos, jornalísticos e políticos, sempre que se busca equilíbrio, seriedade e rigor analítico, evitando que a tese pare uma imposição autoritária.

Além disso, a concessão pode ser usada estrategicamente para:
- suavizar a apresentação de críticas;
- quebrar a oposição do leitor, mostrando que também há pontos válidos na posição contrária;
- ganhar tempo argumentativo, reconhecendo um fato para, em seguida, deslocar o foco para outro aspecto mais favorável à tese.
Exemplos práticos de concessão em diferentes gêneros
Em um crônico jornalístico, o autor pode escrever: “É certo que o trânsito está caótico, ainda assim, a cidade ganha espaço quando pedestres e ciclistas ocupam a calçada”, usando a concessão figura de linguagem para suavizar a crítica e apresentar uma solução.
Em um artigo científico, pode-se ler: “Embora os dados atuais apontem para uma correlação positiva, é necessário considerar variáveis ainda não medidas”, o que demonstra cautela e convida ao leito a refletir sobre novas pesquisas.
Em discursos políticos, a expressão “É verdade que o problema existe, mas já estamos trabalhando para resolvê-lo” ilustra como a concessão ajuda a equilibrar o discurso, mostrando reconhecimento da realidade sem abrir mão da proposta.

A concessão versus outros recursos linguísticos
Diferentemente da negação total ou da afirmação categórica, a concessão figura de linguagem permite um “sim, mas”, que costuma ser mais persuasivo, pois evita extremos.
Enquanto a oposição direta pode gerar reação defensiva, a concessão estabelece um tom de diálogo, mostrando que o autor ouve o outro lado e, mesmo assim, mantém o rumo argumentativo.
Portanto, saber quando substituir uma objeção por uma concessão, ou combinar ambos os recursos, é parte do domínio estilístico que define textos mais maduros, claros e convincentes.
Dicas para aprimorar seu uso de concessão
Para usar a concessão com eficácia, é essencial variar os recursos de expressão, evitar repetições excessivas de “embora” ou “apesar de” e buscar conectores que se adaptem ao tom do texto, como “contudo”, “todavia”, “nem por isso” e “em contrapartida”.

Também é importante equilibrar a quantidade de concessões; um texto excessivamente concedido pode parecer indeciso, enquanto um texto que as utiliza com moderação e clareza ganha força persuasiva e credibilidade.
Praticar a identificação da concessão em textos diversos ajuda a desenvear o ouvido linguístico e a incorporar o recurso de forma natural, tornando a escrita mais flexível, estratégica e convincente.
Conclusão
A concessão figura de linguagem é um recurso poderoso para quem busca comunicar com equilíbrio, persuasão e inteligência, reconhecendo pontos válidos da discussão sem abrir mão da tese própria.
Dominar seu uso, seja em textos formais, cotidianos ou criativos, permite transformar possíveis contra-ataques em oportunidades argumentativas, fortalecendo a mensagem e conquistando a confiança do leito com clareza e elegância.

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