Concordância Nominal E Concordância Verbal
Dominar a concordância nominal e a concordância verbal é a base para construir frases corretas, fluidas e sem erros gramaticais no português.
Entendendo a Concordância Nominal no Português
A concordância nominal trata da regra que determina como os adjetivos e artigos devem concordar em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural) com o substantivo que acompanham. Esta é uma das bases da coesão e coerência textual, pois garante que os elementos de uma frase estejam alinhados corretamente, formando uma unidade gramatical harmoniosa. Ignorar essa regra pode gerar equívocos e dificultar a compreensão da mensagem que se deseja transmitir.
Para aplicar a concordância nominal com precisão, é essencial identificar o núcleo do sujeito, que geralmente é um substantivo. Uma vez reconhecido o gênero e o número desse núcleo, os modificadores, como adjetivos e artigos, devem espelhar essa característica. Por exemplo, ao dizemos "o carro vermelho" (masculino, singular), mas "a casa vermelha" (feminino, singular), já no plural, teríamos "os carros vermelhos" e "as casas vermelhas". A clareza e a organização da frase dependem dessa correspondência.

Regras Básicas e Exceções a Observar
Na maioria dos casos, a regra é simples: adjetivos terminados em -o variam em gênero e número, como "alto/alta/altos/altas". Porém, existem exceções importantes que valem a pena destacar. Alguns adjetivos terminados em -e ou em consoante não se alteram, como "feliz", "cruel" ou "imortal", que permanecem idênticos no masculino e no feminino, no singular e no plural. Outros adjetivos podem ter formas diferentes para o feminino, mas mantêm o mesmo plural para ambos os gêneros, como "elegante" (feminino: "elegante", plural: "elegantes") e "moderno" (feminino: "moderna", plural: "modernos/modernas").
Outro ponto vital da concordância nominal envolve o uso de pronomes demonstrativos ("este, essa, aquele", etc.), possessivos ("meu, sua, nosso") e quantificadores ("algum, qualquer, muito"). Todos eles devem necessariamente concordar com o substantivo que precedem ou a que se referem. A atenção a esses detalhes evita erros sutis, mas que podem comprometer a clareza e a profissão do texto, sejam eles acadêmicos, profissionais ou pessoais.
A Importância da Concordância Verbal
A concordância verbal é a regra que estabelece a ligação correta entre o verbo e o sujeito da oração, considerando pessoa, número e tempo. Esta é a engrenagem que mantém a ação da frase em sincronia com quem ou quem está executando-a. Uma concordância verbal falha transforma uma sentença correta em uma frase confusa, podendo gerar interpretações errôneas sobre a responsabilidade ou o momento da ação.

No português, a conjugação verbal é rica e flexível, o que exige atenção redobrada. O verbo deve sempre estar alinhado com o sujeito, seja ele singular ou plural, e deve respeitar a pessoa (primeira, segunda ou terceira) e o tempo (presente, passado ou futuro). Por exemplo, no presente do indicativo, temos "eu canto" (primeira pessoa do singular), "tu cantas" (segunda pessoa do singular) e "ele/ela/canto" (terceira pessoa do singular), enquanto o plural seria "nós cantamos", "vós cantais" e "eles/elas cantam". A clareza da comunicação depende dessa precisão.
Combinações Desafiadoras e Erros Comuns
Uma das dúvidas mais frequentes envolve a concordância com sujeitos compostos unidos por "e", como "João e Maria estão" (correto), pois o verbo deve estar no plural. Porém, quando os sujeitos são tratados como uma única entidade, o verbo pode ser no singular, embora isso seja menos comum. Outro erro comum acontece com sujeitos indefinidos ou vagos, como "alguém", "ninguém" ou "cada um", que geralmente exigem verbo no singular, mesmo havendo referência a mais de uma pessoa implicitamente.
Além disso, frases iniciadas com "há" exigem atenção, pois "há" é a forma correta do verbo "haver" no presente do indicativo para todas as pessoas do singular e do plural, sendo usada apenas para indicar a existência de algo. Exemplos incluem "há muito tempo" ou "há três casas na rua". Já o pretérito perfeito do indicativo ("houve") se refere a uma ação concluída no passado. Identificar o núcleo correto do sujeito e saber qual verbo acompanhar são fundamentais para evitar deslizes gramaticais que comprometem a qualidade da escrita.

A Sinergia Entre as Duas Concordâncias
A verdadeira fluência na língua portuguesa surge quando você consegue aplicar a concordância nominal e a concordância verbal de forma simultânea e natural. Uma oração bem construída não apenas mantém os adjetivos alinhados com os substantivos, mas também garante que os verbos respondam corretamente aos sujeitos presentes. Essas duas regras trabalham juntas para dar estrutura e sentido às frases, permitindo que o leitor capte a mensagem sem receberembaraços ou interpretações duvidosas.
Praticar a escrita e a leitura com atenção aos detalhes dessas duas regras é o caminho mais efetivo para internalizá-las. Comece analisando frases simples e, gradualmente, avance para textos mais complexos, sempre verificando se os elementos estão em harmonia. Com o tempo, o domínio torna-se intuitivo, e a capacidade de expressar ideias com clareza e precisão torna-se um hábito, não apenas uma obrigação gramatical.
Benefícios de uma Boa Aplicação
Investir no estudo da concordância nominal e da concordância verbal oferece inúmeras vantagens, tanto na comunicação falada quanto escrita. Do ponto de vista profissional, uma linguagem correta transmite competência, seriedade e confiança, fatores essenciais em contextos corporativos e acadêmicos. Para os estudantes, isso pode fazer a diferença na nota de redações e trabalhos, enquanto para o público em geral, garante que suas ideias sejam entendidas sem mal-entendidos.

Além disso, a consciência gramatical aprimora a criatividade linguística. Quando se conhecem as regras, é possível quebrá-las com propósito estético ou humorístico, sabendo que a base sólida está estabelecida. Portanto, a concordância nominal e a concordância verbal não são apenas itens de correção, mas ferramentas poderosas para enriquecer a expressão e tornar a comunicação mais eficaz e agradável.
Conclusão
Dominar a concordância nominal e a concordância verbal é essencial para qualquer pessoa que queira se comunicar com eficiência e exatidão na língua portuguesa. Elas são as estruturas silenciosas que garantem a coesão, a lógica e a beleza das frases. Ao prestar atenção nesses detalhes e praticar regularmente, você transforma a gramática da obrigação em um domínio que aprimora sua clareza, credibilidade e fluência em qualquer situação.
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