A narrativa complexa e sombria de em que ano se passa Frankenstein costuma surpreender os leitores que mergulham na obra de Mary Shelley, pois o cenário não é o nosso presente, mas sim um passado distante e um futuro distante, tecendo uma teia de tempo que confunde a linha entre criação e destruição. Embora muitos associem a história a um clima gótico da Europa setecentista, a própria estrutura epistolar, que surge em cartas de Robert Walton a sua irmã, já adianta que a ação se desenrola em um período em que as viagens aos polos ainda eram empreendimentos audaciosos e perigosos, situando o início da história no início do século XIX, especificamente por volta de 1790, conforme as próprias palavras do capitão Walton.

O Inverno de 1790: O Contexto das Cartas de Walton

A história de em que ano se passa Frankenstein começa a ser desenhada com as cartas de Robert Walton, um explorador ártico, que escreve para sua irmã desde as gélidas e remotas regiões da Rússia e do Polo Norte. Essas cartas, que abrem o romance, são datadas de 1790, estabelecendo um ponto de ancoragem temporal claro para o início da narrativa. É nesse inverno rigoroso de 1790 que Walton encontra o cientista exausto Victor Frankenstein, que ali, remando sozinho em direção ao gelo, decide contar sua trágica história a um estranho, iniciando assim o famoso "efeito boneca russa" que conduz a leitor a camadas cada vez mais profundas da trama.

O cenário geográfico escolhido por Shelley é fundamental para a atmosfera da obra e, indiretamente, para a definição do em que ano se passa Frankenstein. Ao escolher o Ártico como palco inicial, a autora cria um cenário de isolamento extremo, onde a escuridão permanece por meses e a natureza é implacável, refletindo o estado emocional e mental dos personagens. Portanto, quando Walton escreve suas cartas, fazemos parte daquele inverno de 1790, um ponto de partida crucial que estabelece a cronologia de toda a narrativa, mesmo antes de Victor Frankenstein começar a contar sua própria história.

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O Verão de 1793: O Assassinato de William e a Condenação de Justine

Após a introdução das cartas de 1790, a narrativa de Victor Frankenstein avança no tempo, e é aqui que a cronologia interna do romance se torna ainda mais importante para responder à pergunta em que ano se passa Frankenstein. Após ser resgatado e cuidado por Walton e sua tripulação, Victor decide contar sua história, revelando que os eventos catastróficos que o levaram a esse ponto começaram no verão de 1793, em Genebra. Foi nesse período que o irmão mais novo de Victor, William, foi assassinado, e a criatura, injustamente acusada, sofreu a condenação de Justine, culminando em tragédias pessoais que abalaram para sempre a vida do cientista.

A progressão natural do tempo na história é evidente quando Victor descreve como a vida na universidade de Ingolstadt o transformou, bem como o desenvolvimento de seu relacionamento com Elizabeth Lavenza. A passagem dos anos entre o início de seu estudo e a conclusão trágica de seu trabalho é implícita, mas o ponto culminante desse período de pesquisa e criação ocorre no verão de 1793, quando, após meses de isolamento e trabalho intenso, o ser criado finalmente ganha vida, marcando um divisor de águas na cronologia da obra e respondendo indiretamente à pergunta inicial sobre o em que ano se passa Frankenstein em sua fase central.

O Inverno de 1816: O Encontro com a Criatura no Gelo

Enquanto a história de Victor Frankenstein se desenrola no final do século XVIII, a estrutura emoldurada por Walton se estende para o futuro, e é aqui que a cronologia externa do romance avança para o inverno de 1816. Quando as cartas de Walton começam a ser escritas, ele já está no Polo Norte em 1816, encontrando não apenas o sofrimento de Victor, mas também o calor de uma fogueira e a proximidade da primavera, o que contrasta com o desespero do cientista. Portanto, o em que ano se passa Frankenstein na camada mais externa da narrativa é definitivamente 1816, o ano em que as duas histórias se encontram e se confrontam no gelo.

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Essa escolha de Shelley por sobrepor duas linhas temporais — a de 1790/1793 e a de 1816 — não é apenas um recurso literário, mas uma maneira de explorar o tema do tempo e da consequência. Ao fazer com que o encontro final aconteça em 1816, a autora concede a Victor a oportunidade de olhar para trás e refletir sobre suas ações, enquanto Walton testemunha as consequências de um homem que perdeu o rumo. Assim, a pergunta em que ano se passa Frankenstein ganha uma resposta dupla, abrangendo tanto o ápice da tragédia quanto o momento da revelação.

O Verão de 1817: A Conclusão e o Testamento Final

A busca pela resposta sobre em que ano se passa Frankenstein não termina com o encontro no gelo, pois a obra ganha um epílogo que fecha o círculo temporal. Após Victor Frankenstein morrer devido à pneumonia, recuperado e em recuperação no navio de Walton, o encontramos mais uma vez em movimento, agora no verão de 1817. É nesse momento que a esposa de Walton recebe a última carta de seu marido, relatando não apenas a morte de Victor, mas também o encontro com a própria criatura, que aparece para fazer um último pedido antes de partir rumo ao desconhecido, deixando para trás um rumo final que confirma a ideia de que o tempo, assim como a natureza, não pode ser controlado.

Portanto, a cronologia de em que ano se passa Frankenstein se estende por vários anos, desde o inverno de 1790 até o verão de 1817, cobrindo um período de quase três décadas. Essa extensão temporal é intencional, pois permite que Shelley explore as consequências de longo prazo da ambição humana e da busca pelo conhecimento. A progressão sazonal — invernos rigorosos e verões intensos — também serve como metáfora para o ciclo de vida, morte e renascimento que permeia a história, respondendo indiretamente à pergunta inicial de forma completa e envolvente.

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Conclusão: A Jornada no Tempo de uma Obra Atemporal

Entender em que ano se passa Frankenstein é mais do que simplesmente colocar uma data em uma linha do tempo, pois a genialidade de Mary Shelley está em como ela manipula o tempo para criar uma atmosfera de tensão e inevitabilidade. A história se desenrola em um período de transição, entre o mundo iluminista que está desaparecendo e o romantismo sombrio que está surgindo, refletindo medos profundos sobre a ciência, a religião e o próprio ser humano. Ao longo de quase três décadas de narrativa, desde as cartas de 1790 até o encontro final de 1816 e o epílogo de 1817, a obra ganha uma dimensão épica que transcende sua data de publicação de 1818.

Em última análise, a pergunta em que ano se passa Frankenstein não tem uma única resposta, mas uma tapeçaria de datas que se entrelaçam para formar uma das histórias mais duradouras da literatura. Ao nos permitir viajar por esse cenário complexo, Shelley nos convida a refletir sobre as escolhas que definimos hoje e suas possíveis consequências amanhã, provando que, embora o tempo passe, os horrores e as maravilhas que ela criou permanecem tão relevantes quanto no inverno de 1790.