Globalização Segundo Milton Santos
A globalização segundo Milton Santos desafia a forma como entendemos espaço, poder e desigualdade ao longo da história recente.
Quem foi Milton Santos, o geógrafo que pensou a globalização
Milton Santos foi um dos mais originais geógrafos brasileiros, capaz de ligar teoria, política e cotidiano em reflexões profundamente acessíveis.
Ele não tratou a globalização como moda passageira, mas como processo histórico cheio de contradições, desigualdades e resistências.
Sua obra dialoga com geopolítica, sociologia, economia e ecologia, oferecendo ferramentas para analisar o mundo a partir dos territórios oprimidos.

A globalização como contradição: integração e exclusão
Segundo Milton Santos, a globalização não é uma maré que eleva todos os barcos, mas um processo seletivo que integra alguns enquanto exclui outros.
Ele destaca que a chamada globalização econômica cria concentração de riqueza, enquanto amplifica a precarização de trabalho e a vulnerabilidade social.
Essa contradição entre integração tecnológica e exclusão espacial é um dos eixos centrais de sua análise crítica.
O espaço geográfico e o ponto de vista dos subalternos
Milton Santos rejeita a visão universalista que apaga diferenças, defendendo que a geografia precisa ser escrita a partir dos oprimidos.
Ele propõe um espaço geográfico dialético, onde o global e o local se infiltram, e as periferias urbanas e rurais ganham voz como produtores de conhecimento.
Essa perspectiva amplia a compreensão da globalização, incluindo saberes populares, movimentos sociais e práticas cotidianas de resistência.
Economia, poder e desigualdade em escala global
Em sua leitura, a economia global não é neutra, pois está marcada por hierarquias que reproduzem dependência e dominância.
Milton Santos analisa como as cadeias produtivas, o financiamento internacional e as instituições financeiras reforçam desigualdades entre países e regiões.

Ele alerta para os perigos de um desenvolvimento que prioriza lucros sem garantir direitos, cidadania e bem-estar coletivo.
Resistências, utopias e educação para uma globalização emancipadora
Apesar das críticas, o autor identifica resistências locais, movimentos sociais e práticas alternativas que tecem novas formas de convivência.
Ele aposta em projetos emancipadores que conjugam luta econômica, afirmação cultural e construção de cidadania em escala planetária.
A educação, para Milton Santos, é fundamental para romper com a ignorância estrutural e possibilitar cidadania plena em tempos de globalização.

Ecologia, territorialidade e os limites do crescimento
Os estudos de Milton Santos também levam em conta os limites físicos do planeta, questionando o crescimento ilimitado imposto pelo modelo global atual.
Ele discute como a exploração desenfreada dos recursos naturais impacta comunidades, especialmente as mais pobres, que são as menos responsáveis pelas crises ambientais.
Nesse sentido, a globalização ganha contornos éticos quando colocamos a justiça ecológica no centro das estratégias de transformação.
Legado e atualidade das ideias de Milton Santos
As contribuições de Milton Santos permanecem extremamente relevantes para interpretar conflitos contemporâneos, migrações, tecnologia e disputas por poder.

Sua capacidade de conjugar teoria com compromisso social oferece balizas para repensar políticas públicas, planejamento urbano e cooperação internacional.
Portanto, a globalização segundo Milton Santos convida à ação crítica, à solidariedade e à busca de alternativas que respeitem a diversidade e a dignidade humana.
Milton Santos - Globalização - Geografia - Preparatório Enem
CURSO PREPARATÓRIO ENEM / ENCCEJA / PRÉ-VESTIBULAR Inscreva-se e ative as notificações para não perder nada!