Manobra De Barlow E Ortolani
A manobra de Barlow e Ortolani é um dos conjuntos de manobras mais importantes e reconhecidos na avaliação neurológica de recém‑nascidos, sendo amplamente utilizado para triar risco de displasia e instabilidade da articulação coxofemoral.
O que é a manobra de Barlow e Ortolani
A manobra de Barlow e Ortolani compreende duas ações complementares que avaliam, respectivamente, a instabilidade reductível e a própria dislocação da articulação coxofemoral em recém‑nascidos.
O Barlow testa a possibilidade de subluxação ou deslocamento da cabeça femoral para fora da acetábulo, já o Ortolani visa reduzir uma dislocação já presente, confirmando a estabilização da articulação quando realizado com redução clara e sensível.
Juntas, essas manobras constituem o núcleo do exame físico para detecção precoce da displasia do quadril, especialmente indicado entre os primeiros meses de vida, quando o cartilagem predominante permite maior mobilidade e, consequentemente, maior chance de tratamento conservador eficaz.

Quando e por que realizar a manobra
A indicação para realizar a manobra de Barlow e Ortolani está embasada em diretrizes de saúde que recomendam triagem rotineira do quadril em todos os recém‑nascidos, com destaque para grupos de risco.
Fatores de risco incluem apresentação podálica, histórico familiar de displasia do quadril, sexo feminino, primeira fila, oligoamnios e posição de nascimento como transversal ou de face, situações que aumentam a probabilidade de alteração na formação da articulação.
O exame deve ser conduzido em ambiente adequado, com iluminação suave, superfície firme e temperatura confortável, visando obter paciência e cooperação do bebê, o que pode ser facilitado com contato piel com pele, amamentação ou conforto com brinquedo calmante, sempre priorizando segurança e tranquilidade.
Como executar a manobra de Barlow
O Barlow é realizado com o recém‑nascido em posição de decúbito dorsal, com a articulação coxofemoral flexionada em aproximadamente 90 graus e neutral em rotação, ou seja, o eixo da perna alinhado com o tronco.

Com o polegar posicionado sobre a trocanter maior e os outros dedos sustentando a região glútea, o avaliador aplica uma leve pressão longitudinal, no sentido da cabeça femoral em direção ao cóccix, buscando reproduzir a subluxação ou deslocamento da cabeza femoral para fora do acetábulo, manifestado por uma claudicação ou “clique” sensível.
É fundamental manter o movimento suave e longitudinal, evitando força bruta ou rotação excessiva, pois a intenção é avaliar a redundância capsular e a estabilidade, não provar dor ou lesão, e qualquer sinal positivo deve ser interpretado com cautela e confirmado por avaliação complementar.
Como executar a manobra de Ortolani
Após o Barlow, na mesma posição, inicia‑se a manobra de Ortolani, cujo objetivo é reduzir uma dislocação já presente ou confirmar estabilidade.
O movimento consiste em levantar suavemente a coxa do bebê na direção anterossuperior, ou seja, em direção ao abdômen, com leve rotação externa, até que a cabeça femoral encontre o acetábulo com uma clara redução, acompanhada de uma sensação de “clique” ou de acomodação perceptível.

Um resultado positivo indica instabilidade reductível, sugerindo necessidade de avaliação ortopédica detalhada e, muitas vezes, tratamento com tala ou outro suporte, enquanto ausência de redução ou movimento doloroso reforça a necessidade de exames de imagem e manejo individualizado, sempre com o menor intervencionismo possível.
Interpretação dos resultados e próximos passos
Os resultados da manobra de Barlow e Ortolani devem ser interpretados em contexto clínico completo, incluindo anamnese, simetria de pregas glúteas, amplitude de movimento e presença de limitações ou dor.
Barlow positivo, Ortolani positivo ou ambos positivos podem indicar instabilidade ou dislocação, exigindo encaminhamento para ortopedia para avaliação por imagem, geralmente ultrassom, que permite visualizar a cartilagem e a posição da cabeça femoral de forma dinâmica e segura.
Por outro lado, exames sem reduções nem cliques geralmente indicam quadril estável, mas a reavaliação em consulta de rotina é importante, pois algumas instabilidades podem ser tardias ou evoluir com o crescimento, e a orientação aos pais sobre sinais de alerta, como perna aparentemente mais curta ou abdução limitada, é essencial para detecção precoce.

Importância da detecção precoce e manejo
A identificação precoce por meio da manobra de Barlow e Ortolani tem impacto direto no prognóstico, pois o tratamento conservador em idades precoces, como uso de talia ou harness de Pavlik, promove alinhamento adequado da articulação com baixa morbilidade e alta taxa de cura.
Quando diagnosticada tardiamente, a displasia do quadril pode evoluir para fratura do acetábulo, necessidade de redução fechada ou aberta e, em casos mais graves, artroplastia precoce, com prognóstico funcional inferior e risco de osteoartrose na idade adulta.
Portanto, a manobra de Barlow e Ortolani não é apenas um teste técnico, mas uma ferramenta de prevenção que, quando integrada a um programa de triagem estruturado, reduz complicações, evita cirurgias desnecessárias e garante qualidade de vida à população pediátrica.
Em resumo, a manobra de Barlow e Ortolani é um procedimento seguro, validado clinicamente e amplamente utilizado para avaliar a estabilidade do quadril em recém‑nascidos, sendo fundamental para a detecção precoce da displasia do quadril, orientação terapêutica e prevenção de sequelas a longo prazo, destacando‑se como parte essencial do cuidado primário e preventivo na pediatria.

Aula 10 - Manobras de Ortolani e Barlow (displasia de quadril)
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