No Brasil, a principal lei que representa o compliance é a Lei Complementar nº 135/2015, também conhecida como Lei do Compliance, que estabelece diretrizes para a prevenção de corrupção em organizações privadas e públicas.

Contexto e importância da Lei do Compliance no Brasil

A criação da Lei Complementar 135/2015 surgiu como resposta a um cenário de escândalos de corrupção que abalaram grandes instituições no país. Antes de sua aprovação, muitas empresas careciam de mecanismos claros para identificar, investigar e evitar práticas ilícitas, especialmente corrupção ativa e passiva. A normativa trouxe um marco regulatório mais robusto, alinhando a legislação brasileira a padrões internacionais, como os adotados em países como os Estados Unidos, com o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), e a Convenção da OCDE contra a corrupção de agentes públicos estrangeiros.

Essa lei ganhou ainda mais força com a Lei 14.190/2021, que introduziu a responsabilidade objetiva por atos de corrupção praticados por pessoas jurídicas de direito privado. Em resumo, qualquer empresa, seja ela de grande porte ou um pequeno negócio, que atue no mercado brasileiro, precisa entender que adotar um programa de compliance de forma eficaz deixa de ser uma escolha para se tornar uma exigência legal e ética.

A Evolução do Compliance no Brasil e no Mundo: Principais Leis e Avanços
A Evolução do Compliance no Brasil e no Mundo: Principais Leis e Avanços

Principais requisitos e diretrizes da legislação

A Lei do Compliance estabelece uma série de requisitos que as organizações devem seguir para se protegerem e, principalmente, para prevenirem a corrupção. Esses requisitos não são apenas uma formalidade, mas sim um caminho estruturado para a integridade empresarial. Dentre os principais pontos, destacam-se:

  • Criação de um programa de compliance adaptado ao porte e à complexidade da empresa.
  • Designação de um oficial de compliance responsável por implementar e monitorar o programa.
  • Elaboração de códigos de conduta e políticas de prevenção claras e compreensíveis.
  • Implementação de due diligence rigorosa em processos de terceirização e contratação de fornecedores.
  • Estabelecimento de canais efetivos para denúncias, garantindo anonimato e proteção ao denunciante.

Esses itens formam a base para que uma empresa possa demonstrar, em caso de investigação, que adotou medidas razoáveis para evitar a prática de ilícitos. A lei busca, assim, transformar a cultura organizacional, promovendo desde a alta administração até os colaboradores mais operacionais, a integridade como um valor central.

Consequências de não se adequar à Lei Complementar 135

A inércia ou a falta de comprometimento com a Lei do Compliance pode acarretar em sérias consequências jurídicas, financeiras e reputacionais para uma empresa. Em caso de descumprimento, as organizações podem enfrentar multas significativas, que podem chegar a 20% do faturamento da empresa no ano anterior à infração, limitadas ao seu valor máximo de 100 milhões de reais. Além disso, podem ser cassados direitos políticos e econômicos, como a participação em licitações públicas, e a empresa pode ser proibida de contratar com o poder público por até cinco anos.

JORGENCA - Blog Administração: Compliance no Brasil e Suas Origens
JORGENCA - Blog Administração: Compliance no Brasil e Suas Origens

Para as pessoas físicas, como diretores e administradores, as penalidades incluem multas, proibição para o exercício de cargos em conselhos ou administração de sociedades e, em casos de conduta dolosa, pena privativa de liberdade. Portanto, a adequação à lei deixou de ser um mero exercício burocrático para se tornar um diferencial competitivo e um fator essencial de proteção para a sustentabilidade a longo prazo de qualquer negócio.

Benefícios além da obrigatoriedade legal

Embora a legislação estabeleça uma base sólida, os benefícios de um programa de compliance efetivo vão muito além da simples conformidade com a lei. Uma empresa que investe em cultura de integridade ganha a confiança de investidores, clientes, fornecedores e demais stakeholders. Isso se traduz em maior acesso ao crédito, melhores condições comerciais e uma vantagem competitiva no mercado, especialmente em licitações públicas e grandes contratos, onde a transparência e a ética são cada vez mais valorizadas.

Além disso, um compliance sólido atua como um verdadeiro escudo contra fraudes e desvios internos. Ao estabelecer mecanismos claros de prevenção e detecção, a organização consegue identificar riscos precocemente, corrigir falhas e evitar prejuízos financeirios e danos à imagem muito maiores que o custo de implementar o programa. Em um cenário de crescente regulação, a prevenção se mostra muito mais econômica do que a punição.

Compliance: Entenda seu conceito, como aplicá-lo e benefícios
Compliance: Entenda seu conceito, como aplicá-lo e benefícios

Desafios e caminhos para uma implementação eficaz

A implementação bem-sucedida da Lei do Compliance demanda comprometimento em todos os níveis da organização. Um dos maiores desafios é a resistência cultural, especialmente em empresas que historicamente operavam com práticas menos transparentes. É fundamental que a alta direção, desde o início, demonstre apoio irrestrito ao programa, pois essa liderança será o principal catalisador para a adoção de novas práticas por toda a corporação.

Outro ponto crucial é a capacitação contínua. O compliance não pode ser visto como um projeto único, estático, e sim como um processo em constante evolução. Treinamentos regulares, simulações de conduta e atualização sobre novas regulações são essenciais para manter a equipe alinhada e preparada para lidar com situações complexas. Ao integrar o compliance às rotinas diárias e à tomada de decisão estratégica, a empresa constrói um verdadeiro sistema de gestão de riscos éticos, resiliente e sustentável.

Conclusão

Portanto, no Brasil, a principal lei que representa o compliance é a Lei Complementar nº 135/2015, que estabelece a espinha dorsal ética e legal que norteia a prevenção de fraudes e a promoção de práticas transparentes. Entender e aplicar seus princípios vai muito além de evitar sanções, tratando-se de um compromisso estratégico com a reputação, a governança e a sustentabilidade organizacional. Empreender com integridade é, hoje, a base para construir um negócio seguro, confiável e preparado para os desafios do futuro.

Compliance Regulatório: saiba o que é e veja quais os seus benefícios
Compliance Regulatório: saiba o que é e veja quais os seus benefícios