O Que É Acretismo Placentário
O que é acretismo placentário é uma pergunta comum entre gestantes, pois essa condição relaciona a forma como a placenta se fixa no útero e pode trazer riscos se não for diagnosticada precocemente. Na prática, acretismo placentário ocorre quando a placenta invade mais profundamente na parede uterina, às vezes até em órgãos próximos, como a bexiga ou intestinos, exigindo atenção especializada durante a gravidez e o parto. Entender os tipos, causas, fatores de risco, sintomas, diagnóstico e tratamento é essencial para reduzir complicações e garantir uma gestação mais segura.
Tipos de acretismo placentário e como se diferenciam
O acretismo placentário se divide em diferentes formas, cada uma com um grau variado de invasão placentária. O tipo mais leve é o acretismo, quando a placenta se fixa na superfície do miométrio, ou seja, na camada muscular do útero, mas sem penetrar essa camada. Em seguida, temos o increto, quando a placenta invade parcialmente o miométrio, podendo causar sangramento mais intenso. Já o percreto é o caso mais grave, onde a placenta atravessa completamente o miométrio e pode aderir a órgãos vizinhos, como a bexiga ou reto, exigindo planejamento multidisciplinar para o manejo.
Essa classificação é importante porque define a abordagem clínica e o risco de complicações. Por exemplo, no accretismo, pode ser possível realizar uma cesárea programada com menos risco de sangramento massivo. No entanto, no percreto, a probabilidade de necessidade de transfusão sanguínea, cirurgia de emergência e até histerectomia aumenta consideravelmente. Por isso, o diagnóstico precoce por meio de exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, é fundamental para definir o melhor protocolo de tratamento.

Causas e fatores de risco do acretismo placentário
Não existe uma única causa para o acretismo placentário, mas sim uma combinação de fatores que facilitam a fixação anormal da placenta. Entre eles, destacam-se condições que alteram a estrutura ou a função do endométrio, como cesárias anteriores, curetagens, infecções uterinas e inflamações crônicas. O uso de técnicas reprodutivas também pode aumentar a probabilidade, incluindo a colocação de dispositivos intrauterinos (DIU) e tratamentos com medicamentos que alteram o reendometramento.
Além disso, certos perfis de gestantes têm maior predisposição, como aquelas com idade avançada, tabagismo, histórico de placenta prévia ou com placenta localizada na parte inferior do útero. Ter mais de um feto, como em uma gestação gemelar, também pode ser um fator contribuinte. Manter um acompanhamento pré-natal rigoroso e informar ao médico todos os procedimentos e condições passadas é a melhor maneira de identificar cedo possíveis riscos e iniciar estratégias de prevenção e monitoramento.
Sintomas e diagnóstico do acretismo placentário
Os sintomas do acretismo placentário nem sempre são claros, especialmente nas fases iniciais. Porém, alguns sinais devem chamar a atenção, como sangramento vaginal anormal durante a gravidez, dor abdominal intensa e, em casos mais graves, sangramento massivo no momento do parto. A sensibilidade aumentada ao toque na região abdominal e a presença de dor ao urinar também podem indicar envolvimento de órgãos adjacentes, como a bexiga.

O diagnóstico definitivo geralmente ocorre por meio de exames de imagem. A ultrassonografia transabdominal e a transvaginal são os primeiros passos, pois conseguem identificar alterações na espessura da placenta e na relação com a bexiga. Quando há suspeita de acretismo percreto, a ressonância magnética é muito útil por fornecer imagens mais detalhadas da anatomia uterina e das estruturas ao redor. Em algumas situações, a confirmação só acontece durante o procedimento cirúrgico, quando observa-se a aderência da placenta para além da camada uterina.
Como tratar o acretismo placentário
O tratamento do acretismo placentário depende do tipo da condição, da gravidade, da idade gestacional e do desejo da gestante de conservar a fertilidade. Em casos leves e assintomáticos, pode ser indicado um monitoramento rigoroso com exames de imagem repetidos para avaliar o crescimento da placenta e identificar sinais de complicação precoce. Quando há risco de sangramento ou comprometimento de órgãos, a internação hospitalar pode ser necessária para garantir segurança materna.
A abordagem mais comum para gestações com diagnóstico de acretismo é a interrupção da gravidez por meio de cesárea, geralmente eletiva, para evitar o trabalho de parto espontâneo, que pode desencadear sangramento grave. Em casos de percreto ou quando há invasão em órgãos vitais, pode ser necessário realizar uma cirurgia com equipe multidisciplinar, incluindo obstetras, ginecologistas, radiologistas e, eventualmente, urologistas. Em situações extremas, para controlar o sangramento, pode ser indicada a retirada do útero, ou histerectomia, preservando ou não os ovos, conforme orientação médica e preferências da paciente.

Prevenção, manejo e importância do acompanhamento médico
Embora o acretismo placentário não seja sempre prevenível, algumas medidas podem reduzir os riscos. Evitar múltiplas cirurgias uterinas desnecessárias, tratar infecções genital precocemente e manter um controle rigoroso de condições crônicas que afetam a vascularização uterina são estratégias importantes. Mulheres com histórico de cesárea ou complicações uterinas devem conversar com o médico sobre o planejamento de futuras gestações e realizar exodos de imagem para avaliar a localização da placenta.
O manejo do acretismo placentário exige proximidade entre a equipe de saúde e a família, esclarecendo dúvidas, alinhando expectativas e garantindo que todos os cuidados sejam oferecidos de forma integrada. O acompanhamento não se restringe ao período pré-natal, pois o pós-parto também exige atenção redobrada para identificar sangramentos tardios e garantir uma recuperação adequada. Ao combinar diagnóstico precoce, planejamento individualizado e apoio contínuo, é possível reduzir significativamente as complicações e oferecer uma gestação mais segura, mesmo diante de um diagnóstico desafiador.
Em resumo, o que é acretismo placentário vai além da simples definição médica, pois envolve um conjunto de cuidados, escolhas terapêuticas e acompanhamento que impactam diretamente a saúde da gestante e do bebê. Ao compreender os tipos, riscos, sintomas e opções de tratamento, fica mais fácil enfrentar essa condição com confiança e buscar os cuidados necessários em tempo hábil. Um diagnóstico claro, uma equipe médica preparada e o apoio emocional são fundamentais para transformar um cenário potencmente preocupante em uma trajetória de saúde e segurança.

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