Na busca por entender a origem e a formação do texto bíblico, é muito comum surgir a pergunta: o que era a Septuaginta e qual o seu verdadeiro significado.

A origem e o contexto histórico da Septuaginta

A Septuaginta, frequentemente abreviada como LXX, surgiu no contexto do mundo helenístico, especialmente em Alexandria, no Egito, por volta do século III a.C. Nesse período, a comunidade judaica daquela região, que já utilizava predominantemente o grego como língua corrente, sentiu a necessidade de ter acesso à sua sagrada escritura em sua língua materna adaptada. Segundo a tradição, esse projeto de tradução teria sido encomendado pelo faraó Ptolemaio II Filadelfo, que desejava incluir os textos sagrados em sua famosa biblioteca de Alexandria, atraindo estudiosos de diferentes origens.

O nome "Septuaginta" vem do latim que significa "noventa", em referência aos setenta ou noventa tradutores que, de acordo com a lenda, teriam participado do trabalho. Esses tradutores, divididos em grupos de sete, trabalhariam de forma independente, mas todos produziram a mesma tradução, demonstrando, assim, a inspiração divina do projeto. Embora a história possa ser simbolicamente rica, é amplamente aceito hoje que a tradução foi um esforço graduado e colaborativo, realizado ao longo de vários anos por uma equipe de estudiosos judeus fluentes tanto no hebraico quanto no grego daquela época.

A SEPTUAGINTA – TRADUÇÃO DOS SETENTA | O BERAKÁ
A SEPTUAGINTA – TRADUÇÃO DOS SETENTA | O BERAKÁ

O conteúdo e as diferenças em relação ao texto hebraico

A Septuaginta abrange praticamente todos os livros do Antigo Testamento, desde Gênesis até Malaquias, cobrindo a ampla maioria do cânon hebraico. No entanto, ela também inclui livros adicionais, conhecidos como deuterocanônicos ou apócrifos, como o Primeiro e o Segundo Macabeus, o Livro de Judite, o Testamento de Judas e outros. Esses livros, embora considerados canônicos na tradição católica e ortodoxa, não fazem parte da Bíblia hebraica e, portanto, são vistos como não canônicos pelas tradições protestantes, que geralmente os denomina "Apócrifos".

Além da inclusão desses livros, a Septuaginta apresenta diferenças significativas em relação ao texto hebraico massorético em diversos pontos. Essas divergências podem variar desde pequenas alterações ortográficas e sintáticas até diferenças mais substanciais na narrativa, como no livro de Samuel, onde alguns capítulos estão significativamente mais curtos na versão hebraica. Essas diferenças são de extrema importância para os estudiosos, pois ajudam a entender a evolução textual e as possíveis interpretações mais antigas de determinados passagens, fornecendo um valioso paralelo para a compreensão do texto original.

A importância teológica e linguística

Do ponto de vista teológico, a Septuaginta desempenhou um papel fundamental na disseminação da fé judaica e, posteriormente, no surgimento do Cristianismo. Jesus Cristo e os primeiros cristãos usavam amplamente a Septuaginta como referência da Escritura, citando-a constantemente em seus ensinamentos e ao longo de sua missão. Tanto no Novo Testamento quanto nas obras dos primeiros pais da igreja, as citações e alusões são baseadas predominantemente nessa tradução grega, e não no texto hebraico original.

O Que é A Septuaginta - RETOEDU
O Que é A Septuaginta - RETOEDU

Do ponto de vista linguístico, a Septuaginta é uma joia inestimável para a filologia e a lexicografia. Ela preserva um grego arcaico e bíblico, muitas vezes empregando termos hebraicos de forma transliterada ou adaptada, o que ajuda os pesquisadores a entenderem a evolução da língua grega clássica. Além disso, o estudo das diferenças entre a Septuaginta e o texto massorético fornece insights cruciais sobre as intenções originais dos autores e as interpretações das comunidades antigas, servindo como base para traduções modernas e estudos exegéticos profundos.

A transmissão e o impacto duradouro

Com o tempo, a Septuaginta se tornou a versão mais lida e estudada do Antigo Testamento no mundo greco-romano. Foi amplamente utilizada por judeus hellenizados e, mais tarde, pelos primeiros cristãos, que viam nela a confirmação de que Jesus era o Messias prometido. Durante a Idade Média, ela manteve-se como a versão bíblica predominante para o Ocidente cristão, sendo diretamente utilizada por grandes teólogos e traduzida para as línguas vernáculas europeias, influenciando profundamente a linguagem e a teologia ocidental.

Até o surgimento das traduções baseadas nos textos hebraicos massoréticos no período moderno, a Septuaginta ocupou um lugar central na história da Bíblia. Hoje, ela continua sendo um recurso vital para a exegese, especialmente no estudo das origens cristãs e judaicas. Seu conhecimento é essencial para qualquer pessoa que queira compreender profundamente não apenas a Bíblia, mas também a fundação cultural e religiosa do mundo ocidental, sendo, sem dúvida, uma das obras mais importantes da literatura antiga.

O Que é A Septuaginta - RETOEDU
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Conclusão sobre a relevância da Septuaginta

Portanto, o que era a Septuaginta? Ela era a ponte linguística e cultural que uniu o mundo judaico e o mundo greco-romano, permitindo que milhares de pessoas acessassem as Escrituras Sagradas em sua própria língua. Era um projeto de tradução de enorme importância histórica, teológica e linguística, que não apenas preservou os textos bíblicos, mas também moldou a trajetória da civilização ocidental. Compreender a Septuaginta é essencial para qualquer um que busque uma compreensão completa e profunda das raízes bíblicas e culturais que influenciam nossa sociedade até hoje.