Queremismo é o nome dado ao conjunto de ideais, projetos e práticas políticas associados a José Maria Eymael, mais conhecido como Quero Mais, que liderou o Partido da Reedificação da Ordem Nacional (PRONA) e protagonizou trajetória relevante na política brasileira nas décadas de 1990 e 2000.

O termo remete diretamente à identidade partidária e ao próprio liderança do candidato que, em diversas eleições, defendeu um projeto de Estado voltado à soberania, à moralidade pública e a um capitalismo com rosto ético, questionando modelos hegemônicos e buscando alternativas nacionais.

Origem do queremismo e contexto histórico

O queremismo emergiu no cenário político brasileiro da década de 1990, marcado pela desilusão com partidos tradicionais e pela busca por propostas que confrontassem a corrupção e a instabilidade econômica.

José Maria Eymael, como Quero Mais, estruturou o PRONA com base em três eixos: soberania nacional, moralidade pública e desenvolvimento econômico soberano, sintetizando uma alternativa conservadora e de esquerda nacionalista, longe dos alinhamentos internacionais dominantes da época.

O Que Foi O Movimento Queremista - RETOEDU
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Essa vertente contestava, ainda, o neoliberalismo no Brasil, recusando a privatização desenfreada e defendendo controle estratégico de setores essenciais, o que lhe conferiu uma posição única no campo partidário da época.

Principais bandeiras e propostas do movimento

O núcleo do queremismo pode ser compreendido a partir de propostas concretas voltadas à soberania do Estado e à ética na gestão pública, com destaque para:

  • Defesa da soberania nacional e controle sobre recursos estratégicos
  • Combate à corrupção e à impunidade
  • Valorização da família e da moralidade pública
  • Política econômica que priorize o desenvolvimento interno
  • Reforma política e combate ao sistema partidário tradicional

Essas bandeiras foram expostas de forma mais detalhada em programas de governo, especialmente nas candidaturas de José Maria Eymael às presidências da República nos anos de 1994, 1998 e 2002, quando o PRONA chegou a registrar mais de um milhão de filiados.

O projeto, ainda que com pouca expressão eleitoral em certos momentos, pautou discussões sobre o modelo de desenvolvimento e trouxe para o debate público a ideia de que o Brasil precisava de uma via própria, alinhada aos seus interesses e à sua vocação cultural.

VOCÊ SABE O QUE FOI O QUEREMISMO? - SOS História {Prof.Pedro Riccioppo ...
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A expressão partidária e a militância queremista

O queremismo materializou-se em uma organização partidária ativa, com base em agrupamentos locais e nacionais que incentivavam a participação direta dos militantes, muitas vezes em contextos de resistência frente a uma bolsonarização crescente.

José Maria Eymael consolidou-se como um dos poucos nomes capazes de manter uma estrutura partidária coesa ao longo do tempo, mesmo diante de dificuldades financeiras e escrutínio midiático, reforçando a identidade queremista como marca registrável de compromisso com ideais nacionais.

Essa militância se caracterizava por um discurso direto, sem o uso de linguagem de múltiplas camadas, o que ajudava a criar uma ligação franca com o eleitor que buscava postura firme e clareza nas propostas.

O legado e a influência do queremismo na política contemporânea

O impacto do queremismo vai além dos resultados eleitorais obtidos, pois ajudou a inserir temas como soberania econômica, controle de corrupção e étna na esfera pública como prioridades para setores da sociedade.

Memorial da Democracia - Prestes reacende o queremismo
Memorial da Democracia - Prestes reacende o queremismo

Atualmente, traços do queremismo podem ser identificados em movimentos que defendem soberania nacional, projetos de desenvolvimento local e uma postura crítica em relação a acordos que possam colocar em risco a autodeterminação do país.

Além disso, a persistência do PRONA, ainda que com expressão limitada, demonstra a existência de um campo eleitoral alternativo que desafia a lógica bipartidária e mantém viva a memória de uma proposta política coesa, baseada em princípios e não apenas em oportunismos eleitorais.

Desafios e contradições internas

Apesar da coerência teórica, o queremismo enfrentou desafios práticos, como a dificuldade de ampliação da base de apoio e a resistência por parte de setores políticos estabelecidos, que viam nele uma ameaça aos interesses concentrados.

Houve também momentos de tensão interna, especialmente em relação a alianças pontuais e estratégias eleitorais, que mostram as contradições de um movimento que buscava a pureza ideológica sem abrir mão da ação no campo competitivo da política.

O Que Foi O Queremismo - RETOEDU
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Essas contradições ajudam a explicar por que o projeto, mesmo sendo reconhecido pela sua firmeza de propostas, nunca conseguiu romper definitivamente com a marginalização eleitoral, mas permanece um marco de alternativa ao sistema estabelecido.

Conclusão sobre o queremismo e sua relevância

O queremismo representa uma das tentativas mais consistentes de construir uma via política no Brasil pautada pela soberania, ética e compromisso com o desenvolvimento nacional, mesmo diante de grandes obstáculos estruturais.

Compreender o que foi o queremismo é também entender como setores da sociedade brasileira buscaram, e buscam, formas de resistência à homogeneização global e à imposição de modelos que não siempre correspondem às reais necessidades do país.

Portanto, mesmo com sua trajetória marcada por derrotas eleitorais, o legado do queremismo permanece como um importante referência para quem quer construir projetos políticos autônomos, alinhados a princípios e capazes de dialogar com a nação sobre seu futuro.

O Que Foi O Queremismo - RETOEDU
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