Antes de falar sobre o que é materialidade, é preciso entender que este conceito atravessa áreas do Direito, da Contabilidade, da Gestão e da Filosofia, indicando aquilo que pode ser percebido pelos sentidos ou que possui relevância suficiente para influenciar decisões e comportamentos. Na prática, materialidade funciona como um filtro que ajuda a distinguir o essencial do acessório, o concreto do abstrato e o relevante do meramente simbólico.

Definição básica e origem do conceito

O termo materialidade tem origem latina, de “materialis”, que se refere ao que está relacionado com a matéria, com o corpo, com aquilo que pode ser tocado e medido. No contexto jurídico e contábil, a materialidade está ligada à capacidade de um fato ou de uma informação de alterar a percepção de uma situação ou de influenciar decisões econômicas e operacionais. Ao mesmo tempo, a filosofia amplia o significado, associando-o à substância física e à importância de aspectos tangíveis na compreensão da realidade.

Do ponto de vista técnico, materialidade nada mais é do que a qualidade de ser material, ou seja, de constituir parte do mundo físico, dos bens, dos ativos e dos fatos objetivos que podem ser comprovados, mensurados e fiscalizados. Essa definição base permite que diferentes disciplines estabeleçam critérios próprios para identificar o que realmente importa, seja para a tomada de decisão empresarial, para a elaboração de demonstrações financeiras ou para a formulação de normas jurídicas.

Matriz de materialidade: o que é + construindo em 5 passos
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Materialidade no Direito e na legislação

No Direito, a materialidade está presente em diversas esferas, desde a tipificação de crimes até a validade de contratos e atos administrativos. Um ato é materialmente relevante quando produz efeitos concretos sobre a situação jurídica das partes, podendo ser comprovado por documentos, fatos ou circunstâncias externas. Isso significa que não basta a mera intenção ou a declaração de vontade; é necessário que haja uma manifestação tangível para que a materialidade seja reconhecida.

Além disso, a materialidade funciona como requisito para a configuração de diversos crimes, especialmente aqueles que exigem um resultado físico ou uma lesão em bens ou pessoas. O Direito penal e o Direito civil utilizam esse conceito para delimitar o escopo de proteção de valores essenciais, como a vida, a saúde, a propriedade e a confiança nas relações jurídicas. Portanto, a materialidade torna-se um elemento central para a aplicação justa das normas e para a proteção de direitos reais.

Materialidade na contabilidade e nas demonstrações financeiras

Na contabilidade, a materialidade refere-se à importância de uma informação financeira em relação à decisão de um investidor ou de um credor. Uma ocorrência é considerada material quando sua omissão ou sua apresentação incorreta pode influenciar de forma significativa as escolhas econômicas de quem utiliza as demonstrações financeiras. Isso significa que valores altos, transações complexas ou riscos relevantes devem ser devidamente revelados e discutidos.

E-book: Matriz De Materialidade
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Os profissionais de contabilidade utilizam critérios de materialidade para priorizar recursos, concentrar auditorias e elaborar relatórios que atendam às necessidades dos stakeholders. Na prática, esse conceito auxilia na tomada de decisão ao garantir que as informações disponíveis sejam suficientemente representativas da realidade econômica de uma empresa. Assim, a materialidade contábil está diretamente ligada à transparência, à confiabilidade e à eficiência dos mercados financeiros.

Relevância estratégica e tomada de decisão

Em ambientes empresariais e de gestão, a materialidade é utilizada como ferramenta para identificar os assuntos que realmente impactam as operações, os resultados e a reputação de uma organização. Ao estabelecer prioridades baseadas na materialidade, as empresas conseguem alinhar recursos, processos e indicadores com os pontos críticos que exigem atenção imediata. Isso evita desperdícios e garante que as ações estejam alinhadas com os objetivos estratégicos.

Além disso, a materialidade estratégica ajuda a comunicar de forma clara para investidores, reguladores e demais públicos quais são os riscos e as oportunidades mais relevantes. Ao destacar os fatores materialmente significativos, as organizações criam relatórios de sustentabilidade, demonstrações de impacto e planos de ação que respondem às reais necessidades de seus stakeholders. Desse modo, a materialidade deixa de ser apenas um critério técnico para se tornar um elemento de governança e de confiança institucional.

ESG: como montar uma matriz de materialidade em cinco passos | Exame
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Dimensão filosófica e cotidiana

No âmbito filosófico, a materialidade remete à essência das coisas, ao seu caráter concreto e mensurável, contrastando com conceitos abstratos ou meramente simbólicos. Essa perspectiva convida a refletir sobre como percebemos o mundo ao nosso redor, dando importância à experiência sensorial, à evidência factual e à capacidade de comprovação. Ao mesmo tempo, essa visão materialista não nega a importância dos ideais, mas busca ancorá-los na realidade prática.

No dia a dia, materialidade se manifesta na forma como avaliamos objetos, decisões e relações. Quando falamos em escolher produtos duráveis, em investir em infraestrutura ou em cuidar do meio ambiente, estamos, em certa medida, reconhecendo a importância do tangível e dos impactos mensuráveis. Portanto, compreender o que é materialidade significa também cultivar senso crítico, responsabilidade e consciência sobre as consequências reais das nossas ações.

Conclusão sobre o conceito e sua aplicação

Compreender o que é materialidade é essencial para navegar com clareza entre o concreto e o abstrato, tanto no âmbito profissional quanto na vida cotidiana. Trata-se de um conceito que ajuda a priorizar informações, decisões e recursos, indicando aquilo que realmente importa e que produz efeitos mensuráveis. Seja no Direito, na contabilidade, na gestão ou na filosofia, a materialidade funciona como um princípio orientador para distinguir o relevante do supérfluo, o comprovável do imaginário e o substancial do acessório.

Matriz de Materialidade: o que é e como construir na sua empresa - Civicus
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Assim, a materialidade convida à atenção aos fatos, às evidências e às consequências práticas, incentivando uma abordagem mais consciente e responsável em todos os campos. Reconhecer o que é materialmente relevante permite tomar decisias mais sólidas, construir confiança com as partes interessadas e agir de forma alinhada com a realidade objetiva. Em última análise, trabalhar com materialidade é reconhecer que o mundo exige respostas concretas, respostas que estejam pautadas pela substância, pela verificação e pela relevância.