O Que É Traquelectomia
A traquelectomia é um procedimento cirúrgico que retira o colo do útero enquanto preserva o útero, indicado principalmente para mulheres jovens com câncer de colo em estágio inicial que desejam manter a fertilidade. Essa intervenção pode ser realizada por via vaginal ou abdominal, dependendo da extensão da doença e das características de cada caso, e exige uma avaliação cuidadosa por uma equipe multidisciplinar especializada. Com técnicas cada vez mais refinadas, a traquelectomia oferece uma alternativa menos radical à histerectomia, equilibrando o tratamento oncológico com a preservação da capacidade reprodutiva.
Indicações e critérios de elegibilidade para traquelectomia
A indicação para traquelectomia está restrita a situações muito específicas, geralmente quando há diagnóstico de câncer de colo do útero em estágio inicial, como carcinoma invasor microscópico ou tumores pequenos com certas características de profundidade e largura. Para ser candidata ao procedimento, a paciente deve apresentar idade reprodutiva, desejo de gestação futura, ausência de evidências de metástase linfonodal ou disseminação para outros órgãos, e ter um tumor que atenda a critérios rigorosos de tamanho e invasão. Além disso, é essencial que a paciente esteja ciente de que, após o procedimento, acompanhamento rigoroso é obrigatório, pois existe risco de recorrência e de complicações obstétricas na gravidez.
Além do estágio clínico e da extensão local, exames de imagem, como ressonância magnética e, eventualmente, tomografia computadorizada, são solicitados para avaliar a anatomia pélvica e a ausência de doença metastática. A cintilografia linfática também pode ser usada para estudar a drenagem linfática e ajudar a planejar a cirurgia. A inclusão de uma equipe composta por ginecologista, oncologista e, se necessário, cirurgião especialista em preservação da fertilidade é fundamental para garantir que todos os critérios sejam rigorosamente analisados antes de decidir pela traquelectomia.

Tipos de traquelectomia: via vaginal versus abordagem abdominal
A traquelectomia pode ser conduzida por via vaginal, quando o tumor está localizado de forma que permite a excisão completa do colo uterino com margens de segurança, ou por abordagem abdominal, que pode ser laparoscópica ou aberta, indicada em casos com maior extensão ou quando a via vaginal não oferece condições ideais. Na técnica vaginal, o cirurgião remove o colo uterino e realiza anastomose entre as partes proximais do útero e das vagens, preservando a maior parte do órgão. Já a abordagem abdominal permite uma melhor visualização e manejo de possíveis compromissos linfáticos, sendo escolhida em contextos que demandam maior exposição cirúrgica.
Em ambos os caminhos, o objetivo é eliminar o tecido doentio com margens adequadas, minimizando o risco de deixar células cancerosas, ao mesmo tempo em que se preserva a capacidade da paciente de engravidar e de manter uma gravidez segura no futuro. A escolha da via cirúrgica depende de fatores como anatomia pélvica, experiência da equipe, localização e tamanho do tumor, bem como da preferência da paciente, sempre pautada na compreensão dos riscos e benefícios de cada abordagem.
Riscos, complicações e cuidados pós-operatórios
Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a traquelectomia apresenta riscos, que podem incluir sangamento, infecção, lesão de estruturas adjacentes, formação de aderências e, em casos de cirurgia abdominal, complicações relacionadas à anestesia. Também é possível ocorrerem problemas relacionados à cicatrização da anastomose cervical, o que pode exigir intervenções adicionais. Por isso, é fundamental que a cirurgia seja realizada por profissionais com experiência na técnica e que a paciente receba orientações detalhadas sobre cuidados no pós-operatório imediato, incluindo cuidados com a ferida, higiene pessoal e sinais de alerta que justifiquem procura rápida de ajuda.

No período de recuperação, é comum haver dor moderada, secreção vaginal e sensibilidade na região pélvica, que geralmente melhoram com o uso de analgésicos e orientações sobre atividades leves. O acompanhamento clínico e, quando indicado, exames de imagem, ajudam a monitorar a cicatrização e a detectar precocemente qualquer sinal de complicação. A paciente deve evitar atividades intensas e relações sexuais por um período determinado e manter consultas regulares para assegurar a integridade da anastomose e a saúde geral do sistema reprodutor.
Impacto na fertilidade e acompanhamento após a traquelectomia
Um dos principais benefícios da traquelectomia é a preservação da fertilidade, já que o útero permanece intacto, exceto pelo colo removido. Após o procedimento, é possível engravidar naturalmente ou por meio de técnicas de reprodução assistida, mas a gravidez costuma ser de alto risco e deve ser acompanhada por uma equipe obstétrica especializada. Há aumento de chances de parto prematuro, insuficiência cervical e necessidade de cerclagem, que é uma sutura no colo para manter a gestação até o termo. Por isso, o planejamento familiar e acompanhamento pré-gestacional são etapas essenciais.
O acompanhamento a longo prazo inclui consultas ginecológicas regulares, citologia e, conforme indicado, exames de imagem para monitorar a saúde cervical e uterina. Em caso de gravidez, o obstetra deve ser informado sobre o histórico de traquelectomia desde a consulta inicial, para se preparar para possíveis intervenções ao longo da gestação e do parto. Apesar dos desafios, muitas mulheres que passam por esse procedimento conseguem ter filhos com segurança, desde que haja uma triagem rigorosa e um manejo personalizado ao longo de todas as fases.

Conclusão sobre a traquelectomia e qualidade de vida
A traquelectomia representa uma opção terapêutica importante para mulheres diagnosticadas com câncer de colo em estágio muito inicial e que desejam preservar a capacidade de ter filhos. Ao remover o colo do útero com margens seguras, o procedimento busca equilibrar o tratamento oncológico com a qualidade de vida futura, possibilitando sonhar a maternidade sem abrir mão da saúde. No entanto, é fundamental que ela seja indicada em centros especializados, com equipe multidisciplinar, rigorosa avaliação e consentimento informado completo, garantindo que a paciente compreenda os riscos, benefícios e a necessidade de um acompanhamento rigoroso ao longo da vida.
Quando indicar a Traquelectomia Radical ?
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