Pelo Que Ou Pelo O Que
Na hora de falar ou escrever corretamente, muita gente se pergunta sobre a diferença entre pelo que e pelo o que, e a resposta está na gramática e no fluxo da frase.
Entendendo a base: a preposição "pelo"
O termo pelo é uma contração da preposição por com o artigo masculino singular o, ou seja, por + o = pelo. Como preposição, o pelo indica meio, instrumento, preço, lugar, origem ou agente de uma ação, sempre ligando o verbo a um complemento que responde à perguntas como "por quê?", "como?" ou "onde?". Exemplos claros incluem Ele foi ao mercado pelo caminho mais curto (lugar) e Trabalhei pelo cansaço (meio). Portanto, quando usamos pelo, estamos estabelecendo uma relação de conexão entre ações, motivos ou circunstâncias.
O pelo também pode aparerecer como pronome demonstrativo, substituindo substantivos masculinos singulares comuns ou próprios, como em Vi pelo ontem, referindo-se a uma pessoa ou objeto previamente mencionado. Nesse caso, ele funciona como um sujeito ou objeto dentro da oração. Sabemos disso porque a gramática portuguesa mantém a regra de que a contração por + o resulta em pelo em contextos cotidianos, seja ele usado como preposição ou como pronome.

A regra geral: quando usar "pelo que"
A expressão pelo que surge quando combinamos a preposição e pronome pelo com a conjunção relativa que, que introduz orações subordinadas substantivas, explicativas ou adjetivais. Nesse caso, pelo que funciona como sujeito, objeto direto ou complemento nominal dentro da oração principal, sendo imprescindível para manter a coesão e a clareza do texto. A conjunção que aqui une as ideias, enquanto pelo já introduz o significado de "por" ou "devido a".
- Exemplo 1 – Sujeito da oração subordinada: "Não entendo pelo que você ficou chateado." Aqui, pelo que substitui "a razão" ou "o motivo" e liga a ação de ficar chateado a uma causa explicada adiante.
- Exemplo 2 – Objeto direto: "Elas elogiaram pelo que fizera no trabalho." A estrutura mantém a clareza, indicando que o elogio foi direcionado a uma ação concreta, sem ambiguidade.
Portanto, pelo que é a forma correta quando há uma conjunção relativa exigida para unir as orações e quando o sentido de "por causa de" ou "devido a" está implícito. Em termos de fluência, essa escolha garante que a frase soe natural aos ouvidos dos falantes de português, evendo choques gramaticais.
A exceção ou erro comum: "pelo o que"
Em algumas situações, especialmente em regiões do Brasil, ouvir ou ver pelo o que é bastante comum, mas isso não significa que esteja correto em normas cultas da língua. A repetição de pelo (por + o) e o que cria uma redundância desnecessária, pois você está usando duas vezes a mesma ideia de "por" ou "devido a". A forma padrão evita esse acúmulo, mantendo apenas pelo que, que já transporta o sentido completo.

Apesar da aceitação informal, escrever pelo o que em contextos acadêmicos, profissionais ou formais pode prejudicar a credibilidade do autor, já que transmite uma preocupação menor com a norma culta. Para evitar dúvidas, é melhor sempre optar por pelo que, a menos que esteja transcrevendo falas reais ou buscando um efeito estilístico específico em textos literários ou diálogos. Nesse ponto, a atenção aos detalhes faz toda a diferença na qualidade da comunicação.
Dicas práticas para escolher entre "pelo que" e "pelo o que"
Na hora de escrever, uma boa estratégia é testar a substituição da expressão por devido a ou por causa de. Se a frase continuar coerente com pelo que, você está no caminho certo. Por exemplo, em Fiquei feliz pelo que você me ajudou, podemos ler Fiquei feliz devido a você me ajudar, e o sentido se mantém. Já em pelo o que, a substituição ficaria estranha, mostrando que essa forma é redundante.
- Dica 1: Substitua por devido a ou por causa de e veja se a oração faz sentido com pelo que.
- Dica 2: Evite repetir a preposição por com o artigo o antes de o que, pois isso cria redundância.
- Dica 3: Em conversas informais, pode ouvir pelo o que, mas em escrita profissional opte sempre por pelo que.
Outro truque é reler a frase em voz alta; a expressão pelo o que soa travada e repetitiva, enquanto pelo que flui de forma mais suave e natural. Com a prática, o ouvido interno começa a reconhecer automaticamente a forma correta, especialmente se você costuma ler textos bem elaborados e observar como esses recursos são usados por jornalistas e escritores.

Conclusão
Dominar a diferença entre pelo que e pelo o que é um passo importante para refinar a clareza e a elegância da comunicação em português. Enquanto pelo que segue as regras da gramática e garante coesão, pelo o que deve ser evitado em contextos formais, mesmo sendo ouvido em situações cotidianas. Prestar atenção nesses detalhes ajuda a transmitir ideias de forma mais precisa, conquistando interlocutores e criando textos mais profissionais.
PELO QUE ou PELO O QUE?
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