Quem Criou Deus Segundo A Bíblia
Quando falamos sobre quem criou Deus segundo a Bíblia, rapidamente percebemos que estamos lidando com a questão da origem primeira e eterna de toda a existência, um mistério que a própria fé abraça como ponto de partida. A Bíblia não parte de um debate filosófico vazio, mas revela um Deus que sempre foi, autoexistente, sem início nem fim, e ao mesmo tempo demonstra que Ele é a causa de tudo o que foi criado, incluindo o tempo e o espaço conhecidos por nós. Essa afirmação central permeia desde as primeiras palavras do Gênesis até as mais profundas reflexões sobre a natureza divina, estabelecendo a base para entendermos a relação entre o Criador e a criação.
A Revelação Bíblica: Deus como Autossuficiente
A resposta bíblica para a pergunta quem criou Deus segundo a Bíblia encontra-se na própria natureza anunciada de Deus como Eu Sou. No livro de Êxodo, Deus se revela a Moisés dizendo: "E Deus disse ainda a Moisés: EU SEI QUE SEI" (Êxodo 3:14), ou em hebraico, "Eu Sou o Que Sou". Isso indica uma existência sem dependência, sem necessidade de algo ou alguém anterior para existir. Ele simplesmente é, em Si mesmo, autoexistente e eterno. Portanto, a Bíblia não busca explicar quem fez Deus, pois a própria afirmação é que Ele transcende a necessidade de uma causa ou criador, pois habita a luz que não tem névoa, como dizem os salmistas.
Outra passagem crucial é a declaração de Isaías: "Assim diz Deus, o Senhor, que cria o céu e a terra: Eu, o Senhor, primeiro, e com ninguém sou eu o último" (Isaías 44:6). Aqui, a Escritura claramente estabelece a ordem cósmica: Deus é o Primeiro, o Início de tudo. Ele não é um elo em uma cadeia causal infinita, mas a Fonte Final de todas as coisas. Portanto, a própria narrativa bíblica da criaza parte do pressuposto de que Deus é o ponto de partida eterno, o "Eu Sou" que envolve toda a existência em Seu ser.

A Criação Como Ato Divino: O Início do Tempo
A Bíblia descreve a criação do universo e de tudo o nele há em Gênesis, mas essa narrativa pressupõe a existência prévia do Criador. No primeiro verso, lemos: "No princípio, criou Deus os céus e a terra" (Gênesis 1:1). A frase "No princípio" não significa um começo dentro do tempo, mas sim a origem de tudo o que conhecemos como tempo e espaço. Deus, sendo eterno, existia antes do princínio do tempo. Ele não foi criado, pois Ele mesmo estabelece o próprio princípio. A criação, portanto, é um ato de vontade divina, um ato de trazer algo do nada (ex nihilo), não uma transformação de matéria preexistente.
Além disso, a criação é vista como um ato de amor e propósito, não de necessidade. Deus, em Sua plenitude, não carecia de companhia, mas criou seres racionais para relacionamento com Ele. A imagem divina (Gênesis 1:27) indica que a humanidade foi criada para refletir características de Deus, como racionalidade, moralidade e capacidade de relacionamento. Isso nos lembra que a pergunta quem criou Deus bíblicamente, não é feita para colocar Deus em dúvida, mas para reconhecer a distinção entre o Criador dependente de ninguém e a criação dependente dEle.
A Necessidade de um Primeiro Motivo
Logicamente, a existência de algo pressupõe a existência de uma causa ou princípio primeiro. A Bíblia reconhece essa necessidade de um Primeiro Motivo. Em Romanos 1:20, fala-se que "Desde a criação do mundo em diante, as suas divinas qualidades, ou seja, a sua eterna força e a sua divindade, tornaram-se claras, sendo compreendidas através das coisas que foram feitas". Ou seja, a complexidade e a ordem do universo apontam para um Intelecto e Poder supremo. Portanto, a pergunta quem criou Deus torna-se um tanto quanto irrelevante, pois Ele é o próprio fundamento da lógica e da causalidade, sendo a razão pela qual existem leis da física e princípios de causa e efeito.

O teólogo francês Auguste Lecerf, em sua obra "Instituições de Teologia Reformada", explica que a autossuficiência de Deus (atributo de ser) significa que Ele não precisa de nada para existir, mas tem em Si toda a plenitude. Isso o diferencia de toda a criação, que é finita, dependente e passageira. Portanto, a Bíblia não apenas responde indiretamente à questão, mas nos convida a mudar o foco: em vez de questionar sobre a origem de Deus, devemos nos maravilhar com a Sua existência eterna e com o fato de Ele nos chamar para uma relação pessoal.
A Relação com o Criador: Mais Importante que a Origem
Embora a curiosidade sobre a origem de Deus seja compreensível, a Bíblia nos ensina que a resposta certa nos leva a uma transformação de perspectiva. A verdadeira importância não está em desvendar o mistério de quem criou Deus, mas em entender como essa verdade deve moldar nossa vida. Saber que Deus é autoexistente nos lembra de que nossa segurança e identidade não dependem de circunstâncias, mas da própria natureza fiel e amorosa do Criador.
Portanto, a resposta bíblica para quem criou Deus segundo a Bíblia é que ninguém o criou; Ele é o Criador de tudo. Ele simplesmente é. E esse conhecimento, longe de nos deixar órfãos ou perdidos, nos oferece um refúgio seguro: podemos nos aproximar desse Deus eterno, que nos conhece pelo nome e nos ama com um amor inabalável. A fé nos convida a deixar a busca obsessiva pela origem divina e a abraçar a vida em comunhão com Aquele que nos fez e nos sustenta a cada momento.

Se Deus é o criador de todas as coisas, quem criou Deus?
As respostas para a origem do mundo e da humanidade motivaram diversas formas de conhecimento. Para muitas crenças ...