Quem Fala Oque Quer Ouve Oque Não Quer
Na dinâmica do cotidiano, muita gente vive exposta a quem fala o que quer ouve o que não quer, criando mal-entendidos e distorções na comunicação.
O que significa quem fala o que quer ouve o que não quer
A expressão quem fala o que quer ouve o que não quer descreve uma atitude comum em que a pessoa seleciona informações de acordo com o que já pensa ou sente. Em vez de ouvir de forma aberta, ela filtra, reinterpreta ou ignora o que não confere com o próprio viés, crença ou interesse.
Isso acontece sem necessariamente ser uma escolha consciente, muitas vezes por hábito, medo, ansiedade ou orgulho. O resultado é uma comunicação distorcida, onde o diálogo não flui entre posições divergentes, mas reforça bolhas cognitivas e ressentimentos não resolvidos.

Por que algumas pessoas agem assim
Quem fala o que quer ouve o que não quer frequentemente justifica esse comportamento por se sentir inseguro, sob pressão ou sob avaliação constante. O medo de ser contradito ou de enfrentar verdades desconfortáveis pode levar a uma armadura mental que protege a autoimagem, mas sufoca a autenticidade.
Traços de personalidade como teimosia, narcisismo leve ou ansiedade de aprovação podem agravar esse padrão. Em contextos culturais ou familiares onde validar discordâncias é visto como fraqueza, a tendência de selecionar ouvir o que interessa torna-se quase automática, perpetuando ciclos de mal-entendido.
Consequências na vida pessoal e profissional
Quando alguém age como quem fala o que quer ouve o que não quer, as relações pessoais sofrem. Parceiros, amigos e familiares sentem que falam em vão, já que as palavras não geram escuta ativa, apenas reação defensiva.

No ambiente de trabalho, o impacto pode ser ainda mais sério: decisões baseadas em informações parcializadas, conflitos mal resolvidos e equipes desconectadas. Reconhecer esse padrão é o primeiro passo para evitar prejuízos à colaboração e inovar com confiança.
Como identificar se você faz isso
Você pode estar agindo como quem fala o que quer ouve o que não querer sem perceber. Indícios incluem virar o assunto quando alguém expõe uma crítica, lembrar apenas de frases que reforçam sua tese e minimizar ideias diferentes da sua.
Outro sinal é a rigidez ao debater: em vez de explorar nuances, busca-se provar que está certo. Refletir sobre como reage a feedbacks difíceis ajuda a mapear pontos cegos e abrir espaço para uma comunicação mais equilibrada.

Estratégias para ouvir de verdade
Transformar a relação com a escuta exige treino intencional. Pratique ouvir sem interromper, fazer perguntas para entender o contexto e rever a própria reação antes de responder. Pergunte a si mesmo: estou sendo aberto a ideias que desafia meu ponto de vista?
Adotar uma postura de estudante em vez de juiz ajuda a reduzir a defensividade. Anote mentalmente ou até escreva as preocupações que surgem, para depois revisá-las com calma. Isso cria espaço para ouvir o que não quer, mas que pode ser valioso para seu crescimento.
Construir diálogos mais saudáveis
Relações baseadas em quem fala o que quer ouve o que não quer são frágeis. Construir diálogos saudáveis requer humildade, paciência e a coragem de admitir quando se está errado. Incentivar o outro a falar e validar emoções cria confiança mútua.

Em grupo, estabelecer normas claras de escuta ativa, como ouvir sem interromper e resumir o que o outro disse antes de responder, reduz vieses. Com o tempo, esse esforço transforma a comunicação de uma batalha em uma ponte de entendimento.
Praticar empatia para romper padrões
Colocar-se no lugar do outro é uma ferramenta poderosa para combater a tendência de viver como quem fala o que quer ouve o que não quer. A empatia nos convida a questionar o medo por trás da rejeição e a buscar conexão, não vitória.
Comece aos poucos: em conversas difíceis, foque em entender a intenção por trás da fala, em vez de cravar apenas no conteúdo. Com paciência e prática, é possível desvendar padrões e cultivar uma comunicação mais clara, justa e transformadora.

Portanto, reconhecer e trabalhar a tendência de ser quem fala o que quer ouve o que não quer abre portas para relações mais sinceras, decisões mais acertadas e autoconhecimento profundo. Desafie-se a ouvir com curiosidade e humildade — o diálogo agradece e a vida se torna mais leve quando as palavras encontram verdadeira escuta.
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