Sentidos Próprio E Figurado
Na construção de uma boa redação, dominar o sentido próprio e figurado das palavras é essencial para expressar ideias com precisão e impacto.
O que é o sentido próprio de uma palavra
O sentido próprio, também chamado de significado denotativo, é a definição objetiva e convencional que encontramos nos dicionários. Cada termo tem um núcleo de referência que a comunidade linguística aceita universalmente, servindo como um ponto de partida claro para a comunicação. Quando usamos uma palavra em seu sentido próprio, estamos nos referindo ao seu uso literal, sem adicionar camadas de interpretação subjetiva ou emocional.
Exemplos claros disso aparecem no cotidiano: "mesa" é o móvel plano para colocar objetos, "chuva" é a precipitação de gotas de água no céu e "feliz" é o estado de quem tem alegria. Nesses casos, não há espaço para mal-entendidos, pois o significado é estável e factual. Manter esse rigor é particularmente importante em contextos técnicos, científicos ou legais, onde a clareza e a precisão são prioridades absolutas para evitar ambiguidades.
O sentido figurado: a linguagem da criatividade
O sentido figurado, por outro lado, surge quando deslocamos uma palavra do seu campo habitual para gerar uma nova imagem ou emoção. Ele utiliza recursos como a metáfora, a sinestesia e a personificação para criar poder de expressão, transformando a linguagem comum em poesia. Ao invés de descrever a realidade de forma direta, esse recurso sugere uma conexão entre dois elementos aparentemente distintos, enriquecendo o texto com sutileza e profundidade.
Um exemplo clássico é a expressão "o tempo voa", que não pode ser interpretada字面mente, pois o próprio tempo não tem asas. Aqui, a figura literária substitui a passagem lenta e mensurável do tempo pela velocidade de uma ave, transmitindo a sensação de que os dias desaparecem rapidamente. Outro caso é dizer que "estou fervendo", quando na verdade estamos apenas com calor ou ansiedade, usando a temperatura da água como símbolo do nosso estado emocional.
Diferenças práticas entre os dois sentidos
A distinção entre sentido próprio e figurado aparece principalmente na intenção comunicativa. Enquanto o primeiro busca a objetividade e a corretude factual, o segundo busca a subjetividade e a beleza estética. Uma frase como "O cachorro latiu" está no plano próprio, pois reporta um fato verificável; jamais duvidaríamos que o animal produziu som.

Porém, quando afirmamos que "o cachorro era uma fúria de latidos", já estamos no plano figurado. A raiva não é uma qualidade física do animal, mas uma comparação que projetamos sobre ele, humanizando-o através da linguagem. Essa flexibilidade permite que escrevasemos crônicas afiadas e poemas intensos, mostrando como a língua portuguesa se molda conforme as necessidades do autor.
A importância de não confundir os contextos
Embora o uso criativo seja valioso, é crucial saber quando aplicar cada um dos sentidos. Em uma prova de vestibular ou em um contrato jurídico, o sentido próprio é que deve prevalecer, pois garante segurança jurídica e interpretação única. Qualquer deriva poética pode gerar conflitos ou mal-entendidos graves, colocando em risco a comunicação eficaz.
O inverso também é perigoso: usar a linguagem estritamente técnica em um conto de fadas ou em uma carta de amor pode deixar o texto frio e sem graça. A chave está no equilíbrio, reconhecendo o contexto e o público-alvo. Um bom escritor oscila entre o concreto e o abstrato, sabendo quando fixar e quando soltar as imagens.

Desenvolvendo a sensibilidade para os dois sentidos
Para melhorar o domínio dessa dupla faceta da linguagem, a prática deve ser intencional. Comece observando como as palavras são usadas em diferentes gêneros textuais: notícias, literatura, publicidade e discursos formais. Anote expressões que te chamem atenção e classifique-as como próprias ou figuradas, criando um caderno de estilo pessoal.
- Leia amplamente para internalizar os padrões de uso correto.
- Reescreva frases transformando descrições literais em metáforas e vice-versa.
- Pratique em contextos variados, desde listas de tarefas até roteiros criativos, para fixar a diferença.
Essa consciência metódica fará com que você escolha a palavra certa automaticamente, seja para informar com clareza ou para emocionar com elegância.
Conclusão
Entender o sentido próprio e figurado é dominar a ponte entre a objetividade e a subjetividade da língua. Ao respeitar as regras do uso literal e, simultaneamente, explorar a beleza das figuras de linguagem, ampliamos nossa capacidade de nos expressar em qualquer situação. Que você utilize esse conhecimento para escrever com precisão, riqueza e autenticidade.
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