Um Numero Natural Que Nao É Inteiro
O conceito de um número natural que não é inteiro pode parecer uma contradição em primeira análise, pois geralmente associamos esses dois termos como sinônimos no cotidiano da matemática.
Porém, ao analisarmos as definições formais e a evolução histórica dos conjuntos numéricos, percebe-se que a natureza desses números é mais sutil e interessante do que parece.
Essa aparente paradoxalidade envolve a diferença entre a intuição aritmética e a rigidez das construções teóricas, criando um campo de discussão fascinante sobre o que realmente significam ser "natural" e ser "inteiro".
Aparente Contradição: O Paradoxo da Definição
Na matemática convencional, especialmente no contexto brasileiro e em muitos sistemas educacionais, define-se que os números naturais são exatamente os números inteiros não negativos.
Portanto, sob esta perspectiva tradicional, a frase um número natural que não é inteiro configura uma impossibilidade lógica, assim como falar em "quadrado redondo" ou em "triângulo com quatro lados".

Os conjuntos são definidos dessa forma para garantir clareza e evitar ambiguidade nas operações e nos teoremas, sendo o conjunto dos naturais (ℕ) um subconjunto perfeitamente contido no conjunto dos inteiros (ℤ).
Origem Histórica: O Nascimento dos Naturais
A confusão surge justamente quando olhamos para a origem histórica desses conjuntos.
Inicialmente, o conceito de número natural surgiu da necessidade de contar objetos físicos: 1 ovelha, 2 mãos, 3 árvores.
Nesse contexto primordial, números como 1, 2, 3... eram naturais, enquanto números negativos, frações ou decimais não faziam parte da experiência cotidiana, sendo considerados até mesmo absurdos.
Aí está a chave: um número natural, em sua essência histórica, não pode ser uma fração, pois a fração representa a divisão de um todo em partes iguais, conceito que surgiu muito depois para medir construções ou distribuir recursos de forma contínua.

O Conceito Moderno e as Construções Formais
Na matemática moderna, especialmente na teoria dos conjuntos, os números são construídos a partir de definições abstractas.
Os números inteiros, por exemplo, podem ser definidos a partir dos naturais através de pares ordenados, onde (a, b) representa a subtração a - b.
Dessa forma, o conjunto dos naturais ℕ é formalmente construído dentro do conjunto dos inteiros ℤ, e qualquer elemento de ℕ é, por definição, um elemento de ℤ, sendo automaticamente um número inteiro.
Assim, a própria construção moderna elimina a possibilidade de um natural não ser inteiro, reforçando a ideia de que a contradição reside na interpretação informal da linguagem, e não na matemática em si.
Onde Surge a Interpretação Alternativa?
Em alguns contextos didáticos ou regionais, especialmente no passado, pode-se encontrar uma definição alternativa onde os números naturais são considerados apenas os números inteiros positivos, ou seja, {1, 2, 3, ...}, excluindo o zero.

Mesmo nesse caso, a exclusão do zero não cria um espaço para frações; apenas altera o ponto de partida da contagem.
Ainda assim, um número como 1/2 ou 0,5 nunca seria classificado como natural, pois sua própria definição como parte de um todo maior o exclui dessa categoria aritmética.
Exemplos Práticos e o Mundo Real
Para ilustrar a diferença entre os conceitos, consideremos exemplos práticos.
Quando falamos a quantidade de alunos em uma sala, usamos naturais: 25 alunos, nunca 25,5 alunos.
Já ao medir ingredientes para uma receita, recorremos a frações ou decimais: 1 e 1/2 xícaram de farinha.

Nesse cenário, 1 e 1/2 é um número inteiro (no sentido de "não natural")? Sim, ele é um número misto, mas na classificação estrita, pertence ao conjunto dos racionais, não ao dos naturais.
A clareza vem em entender que "natural" remete à contagem discreta e finita de objetos distintos, enquanto "não inteiro" remete a uma medida contínua ou divisível.
A Lição Final: Clareza Terminológica
A discussão sobre um número natural que não é inteiro não é apenas um exercício de lógica, mas uma lição valiosa sobre a importância da precisão terminológica.
Em problemas de matemática, especialmente em provas e concursos, a definição oficial adotada deve ser sempre aplicada para evitar erros.
Portanto, a resposta para a pergunta inicial é, por definição matemática contemporânea: não existe, pois a propriedade de ser natural implica, necessariamente, a propriedade de ser inteiro não-negativo.

O verdadeiro entendimento está em reconhecer que a beleza da matemática está justamente nessa construção camada por camada, onde cada novo conjunto surge para resolver problemas que o anterior não conseguia, sempre preservando uma cointerna rigorosa e lógica.
CONJUNTOS NUMÉRICOS | Números Naturais, inteiros, racionais e irracionais.
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